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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Num Belo Dia...


Num belo dia eu descobri que não era boa em nada!
Absolutamente Nada!
Todos os fatos da minha vida eram consolidados através de acidentes, sim acidentes.
Eu não sabia fazer amizades como um dia achei que sabia, pois todos meus amigos eu fiz por acidente, por mera insistência do acaso. Eles vinham até mim através de semelhanças toscas e que hoje nem existem mais, ou alguma desavença em comum com alguém e o que faz perdurar nossa amizade são novas semelhanças que eu procuro manter, com atualizações constantes sobre eles,o que fazem, o que ouvem, o que falam.
Bem, eu também não sabia começar um relacionamento, geralmente eles começavam por acidentes fatais, como um ideal anarquista, um gosto musical parecido, um esbarro nos corredores do colégio. E como todos acabaram, descobri também, que não sou boa com términos de relacionamentos, porque eu sempre estou em busca daqueles que me ignoram, eu quero saber porque me ignoram e insisto em me provar que não fui a culpada por não ter dado certo e que na verdade, não estou sendo ignorada e sim sou eu quem está ignorando. Eu deveria sentar e chorar por um tempo, me afastar e esquecer depois de alguns dias, mas eu simplesmente me mantenho ali, sempre à vista, sempre a mostra com meu cigarro na boca pra justificar meus erros e mostrar o quanto minha fraqueza pode ferir. Não me culpo por me sentir atraída pela ignorância e pelo improvável, a maioria das pessoas são assim.
Eu não sou boa, definitivamente, com aulas e professores, eles me adoram, eu quero acreditar que sim, mas se pudesse me matar me matariam, contudo sentiriam minha falta quando não estivesse por perto.
Eu não sou boa em fingir, sempre que tento fingir eu sou pega por mim mesma,na maioria das vezes. Quando chego em casa prometo que nunca mais irei lá, não falo mais com ele, não olho mais pra ele, não bebo mais, não fumo mais, mas basta colocar os pés pra fora e eu deixo os planos para a próxima noite de tédio em casa, em casa é fácil, ele não está aqui, o cigarro não está, a bebida não está, a droga não está, nada está! Só eu estou, e eu não preciso fingir nada pra mim mesma.
Eu não sou boa em resistência à minha necessidade de solidão, as pessoas que parecem saber viverem sozinhas estão tão distante de mim e tão perto do estrelado sendo admiradas por todos que parece muito irreal pra mim, pobre mortal estar só neste mundo cheio de gente que ainda não teve a chance de compartilhar de mim. Eu odeio a idéia e ficar sozinha, e de ver as pessoas sozinhas, eu acho que vocês precisam de mim, eu quero pensar que sim, porém como eu, vocês não vão admitir, mas no fundo sei que precisam, mesmo eu não sendo boa em nada.